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Portal Mural Sonoro

Autora/Presidente: Soraia Simões

“O Projecto Mural Sonoro surgiu durante a frequência do curso de pós graduação em Estudos de Música Popular no Departamento de Ciências Musicais da FCSH, e tem por objectivo o estudo e divulgação das Práticas Musicais e Manifestações culturais locais em Portugal, associadas à migração e à diáspora. Ao longo do projecto estabelecemos diálogos entre músicos, compositores, directores musicais, pedagogos e construtores de instrumentos, através de debates, conferências e recolhas musicais com o enfoque nos campos da composição, concepção musical, pedagogia, organaria/construção de instrumentos e interpretação. Metodologicamente entrelaçamos o método etnográfico com a pesquisa documental, na produção bibliográfica e na constituição de um Arquivo de entrevistas para memória futura, que possa servir a aprendizagem, estudos, abordagem, nova leitura de todos os interessados.”

URL: www.muralsonoro.pt

Soraia Simões - Biografia

1976, Coimbra

2016/2017 – “Da Referência ao Rap como Forma Musical que se Impôs” (no prelo)

Desde Março de 2015 – Colaboração em "Memórias da Revolução" no domínio "Sons da Revolução" com artigos e registos sonoros no âmbito. Projecto do IHC - FCSH em parceria com a RTP

2015/2016 – ''Que há-de ser de nós?'': o percurso musical de Ivan Lins entre o Brasil e Portugal de 1981 a 2014 (tese de mestrado em curso)

Investigadora Instituto de História Contemporânea, FCSH (desde Fevereiro de 2015)

Colaboração com projecto Europeana Sounds www.europeanasounds.eu/ (2015)

Prémio Megafone - Sociedade Portuguesa de Autores (2014)

Pós Grad. Estudos de Música Popular, Departamento Ciências Musicais, FCSH-UNL (2011/2012)

«Passado Presente. Uma Viagem ao Universo de Paulo de Carvalho» (Public. Chiado Editora, Outubro de 2012)

Autora Mural Sonoro (2011)

**Associação Mural Sonoro, mais detalhes em: www.muralsonoro.com/associaonib

Prémio Megafone/Sociedade Portuguesa de Autores 2014 — pelo trabalho desenvolvido no Projecto e Associação Mural Sonoro de sua Autoria

Ligações e Contactos:

Associação Mural Sonoro: muralsonoroassociacao

Arquivo Mural Sonoro: arquivomuralsonoro

Biografia: biografia

Mural Sonoro — Organologia: organologiamuralsonoro

Iniciativas Mural Sonoro: iniciativasmuralsonoro

Recepção Musical Mural Sonoro:recepçaomusical

Mural Sonoro (Facebook): MuralSonoro no Facebook 

Práticas Urbanas e Tradicionais: http://www.muralsonoro.com/qd-intro

tlm: +351 918 383 051 

António de Sousa Vieira

António Manuel de Sousa Vieira iniciou os seus estudos no Conservatório de Música da Maia onde estudou guitarra clássica com Ricardo Barceló e João Campos. Termina o curso complementar de Bandolim com 19 valores no Conservatório de Música de Coimbra, onde estuda com Flávio Pinho. Ingressa depois no Conservatório de Esch-sur-Alzette no Luxemburgo onde estuda com o virtuoso Maestro Juan Carlos Munoz, os cursos de bandolim napolitano/barroco e música de câmara. No mesmo conservatório estuda “Déchiffrage” com Francesco Civitareale e direção coral com Thomas Krämer.

Realizou cursos de música de câmara e bandolim em diversos países, com grandes nomes da música de Plectro como Juan Carlos Muñoz, Mari Fe Pavón, Mirko Schrader, Caterina Lichtenberg, Marga Wilden-Hüsgen, Keith Harris, Francesco Civitareale ....

Enquanto elemento do Coro Cláudio Carneiro dirigido pelo Maestro Lino Gaspar, participou em diversos concertos. Desde Março de 2006 é Maestro Titular e Director Artístico do Grupo Coral de Professores do Porto.

Fundou o Duo Magalhães da Gama e a Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins da qual é o seu Concertino e Director Artístico. Foi o primeiro Português a integrar a EGMYO – European Guitar and Mandolin Youth Orchestra (2006 – Grécia, 2007 – Itália, 2008 – Espanha).

É o único elemento Português da Orquestra Europeia de Guitarras e Bandolins – Il Forum Musicale. Tem colaborado regularmente com a Société Mandoliniste “ LA Lyre „ Godbrange e com o Ensemble a Plectre Municipal d’Esch-sur-Alzette desde Setembro de 2008. Tem atuado em grande parte da Europa (Espanha, França, Luxemburgo, Alemanha, Itália, Grécia …).

É o instrumentista convidado para executar as partes de bandolim de diversas orquestras em Portugal, tendo já colaborado com a Orquestra Sinfónica da Casa da Música do Porto, OrchestrUtopica, Remix Ensemble Casa da Música…, sob a direção de Christoph König, Peter Rundel, Emilio Pomàrico, John Storgards, Olari Elts, Andrew Litton. Em 2013 juntamente com o guitarrista Rui Gama cria o Ciglia Ensemble, que se dedica a divulgar as novas sonoridades da música de Plectro.

Em Setembro de 2007 começa a lecionar o curso de bandolim no Conservatório de Música de Vila Real. No ano letivo 2009/2010 foi convidado para abrir uma classe de bandolim na Escola de Música de Esposende. Em 2010/2011 inicia o curso de bandolim na Companhia da Música em Braga e no ano 2013/14 no Conservatório de Música do Porto.

Canto D’Aqui

Unidos pela paixão pela música e pelo prazer de tocar e de cantar, o grupo Canto D’Aqui, surge como uma associação cultural, que procura transmitir à cultura portuguesa aquilo que existe de mais profundo nas suas raízes, deixando um importante tributo para as gerações futuras.

Natural de Braga, foi fundado em 1984, e desde aí tem vindo a desenvolver um trabalho de pesquisa e divulgação da música tradicional e popular portuguesa, desde o Minho até às Ilhas. É composto atualmente por 11 elementos, que executam instrumentos como guitarras, bandolins, viola braguesa, cavaquinho, baixo, flauta transversal, clarinete e percussões. O cariz tradicional dos instrumentos, associado aos arranjos musicais e à originalidade com que interpretam as canções, atribui-lhe uma sonoridade única, sendo já uma referência no panorama nacional.

Afirmação

Depois da sua apresentação em público no 2º Festival de Teatro Amador de Braga, o grupo efetuou inúmeros espetáculos por todo o país, participando em festivais, convívios, festas e romarias, com destaque para os que se realizaram no Coliseu dos Recreios (Lisboa), Theatro Circo (Braga) e Teatro Garcia de Resende (Évora). Recentemente, tem levado a música tradicional além fronteiras, contando no seu curriculum com espetáculos em Fortaleza (Brasil), Nantes (França), Galiza e Valladolid (Espanha). Com três CD’s editados, o Canto D’Aqui, procura dar aos seus temas novas sonoridades, enriquecendo assim o cancioneiro nacional. É ainda de mencionar a participação recente do grupo na Festa do Avante em 2012, no Festival Intercéltico de Sendim em 2013, e no Festival Castro-Galaico de Nogueiró (Braga), onde surge como entidade coorganizadora. Em todos os espetáculos, obteve um grande reconhecimento perante o público.

Outros Projetos

Em 2011, o grupo Canto D’aqui enveredou num outro projeto em colaboração com o grupo Sopros de Zeca, do qual resultou o espetáculo de tributo a Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, que nos últimos três anos, tem contado com casa cheia no Theatro Circo na noite de 23 de Fevereiro, sendo já um concerto de referência na cidade.

Desde 2012 que este projeto tem visitado várias salas de espetáculo deste país e da vizinha Espanha, tendo começado no Theatro Circo com transmissão direta da Antena 1 para todo o mundo, e culminando na Sala principal da Casa da Música do Porto, onde foi gravado um DVD ao vivo. Em alguns deles, contou-se com a participação de convidados especiais bem conhecidos, tais como Sebastião Antunes, Uxia, Francisco Fanhais. É de referir ainda, que neste mesmo ano, o grupo foi uma das entidades que impulsionaram e subescreveram o manifesto criado no seio da Associação José Afonso “Amigos Maiores que o Pensamento”, como homenagem a José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.

Atividade Recente

No passado dia 23 de Fevereiro, este espetáculo voltou ao Theatro Circo, contando com a participação especial dos convidados Manolo Bacalhau e Manuel Freire, para além da presença habitual do grupo Sopros de Zeca e do Coro da Associação de Pais do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga.

Alargando o seu reportório a todos aqueles que cantaram e impulsionaram a revolução de 25 de Abril de 1974, marco histórico na república portuguesa, este ano de 2014, este projeto levou-nos numa viagem musical para celebrar 40 anos de liberdade. No dia 13 de Abril na Casa da Música do Porto, 17 de Abril no Teatro Joaquim de Almeida no Montijo e a 24 de Abril no Theatro Circo em Braga, o palco encheu-se de emoção para lembrar as canções com história num espetáculo único com mais de 100 elementos em palco. Para além dos grupos que são presença habitual, é ainda de referir, que no concerto do Theatro Circo, contou-se com a colaboração do Coro e Orquestra do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga e ainda com a apresentação e encenação de algumas músicas por parte de alunos também do Conservatório. Um concerto memorável que ficará na história! Mais uma vez com “casa cheia”.

Ainda a reviver este espetáculo, no dia a seguir, 25 de Abril, o grupo Canto D’Aqui partiu para França, para a cidade de Nantes, onde realizou mais um concerto sendo muito bem recebido e aplaudido pelo público.

Agenda próxima 

Festas de Santo António - Amares, 10 de Junho

Festas de S. João - Braga, 17 de Junho

Festival Castro Galaico de Nogueiró - Braga, 13 de Julho

Festival de Música Tradicional - Braga, 30 de Agosto

 

 

 

Braga - cidade de sons

José MachadoBraga - cidade de sons

Por José Hermínio da Costa Machado, mestre, professor.

Para a celebração dos 150 anos da ACB, deixemos entrar pelas ruas da cidade as bandas filarmónicas dos concelhos que se inscrevem no seu âmbito de ação, pois elas trazem a história longa das práticas musicais das suas gentes e agora executam o Hino de S. João: a Banda Filarmónica de Amares (fundada em 1853), a Banda de Música de S. Miguel de Cabreiros (em 1843), a Banda de Música dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso (1904), a Banda Musical de Calvos (entre 1830-1850), a Banda Musical da Carvalheira (1839), a Banda Filarmónica de Santa Maria de Bouro (1858), a Sociedade Filarmónica de Vilar Chão (1830), a Filarmónica de Vieira do Minho (1898), a Banda Musical de Aboim da Nóbrega (1735) e a Banda Musical de Vila Verde (1936).

De seguida, ouçamos o carrilhão da Sé (data do século XVII), entre outros que Braga tem (S. Vicente, Santa Cruz), num misto de repertório clássico e popular.

Uma vez na Igreja Primacial, deixemo-nos enlevar pela música gregoriana que a «Escola de Braga» sempre conservou e promoveu, com uma tradição do estudo (espólio, arquivo, museu) e da criação da música, essencialmente religiosa, mas também erudita (de câmara, de orquestra, coral), mergulhadas na contemporaneidade dos géneros: os compositores e os intérpretes da «música em Braga» se, por um lado testemunham a iniciativa dos seus arcebispos, por outro lado inscrevem-se de pleno direito na memória musical do país e do mundo, sirvam de exemplo dois nomes notáveis: Manuel Faria (1916-1983), Joaquim Santos (1936-2008).  

Tal como no comércio, Braga é porosa aos sons do mundo, mas também identitária («O Minho parece ter no seu espaço sonoro uma ancestralidade folclórica» - escreveu Rui Abreu, Blitz, 82, 51). Aqui se ouvem, praticam e cultivam todos os domínios musicais, desde a música erudita (concertos, recitais, audições, teatro, «performance») à música tradicional e popular (Zés-pereiras, fanfarras, bandas, conjuntos de baile, «aparelhagens de som», desfiles, festivais de folclore, encontros de coros, concertos de pop-rock, cantares ao desafio, tunas, fados, músicos de rua), desde o fado (Manuel Lima, Acofa) e a canção de Coimbra (Manuel Borralho, Grupo de  Fados da ARCUM) ao pop-rock (hip-hop, soul, funk)e ao jazz, desde a música de intervenção às músicas das comunidades migrantes. «Qualquer coisa entre a Sé de Braga e Nova York» - nas palavras de António Variações (Fiscal, Amares: 1944-1984) – pode ser fio condutor para a descrição dos sons que enchem os espaços urbanos, os de periferia e os rurais: os promotores e os mediadores, os criadores e os intérpretes, as indústrias culturais, as editoras, os meios de comunicação e a rede virtual, como noutros lugares, também aqui dão sinais de expansão, aqui manifestam sinais de crise e de mudança, com uma visibilidade de escala.

Se o ciclo das festividades religiosas e populares marca com repertórios a agenda musical dos bracarenses de forma massiva e pública, também as instâncias de programação (instituições, escolas, associações, municípios, gestores culturais) desenvolvem iniciativas para uma agenda musical de livre escolha, em espaços reservados e específicos (teatros, auditórios, parques, palcos).

Podemos enunciar, a título de exemplo, um conjunto de lideranças da vida musical bracarense: o Departamento de Música do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian,  a Companhia da Música da Casa de Música de Braga, as formações musicais como Orfeão de Braga, «Capella Bracarensis», a escola de Música Sacra Bracarense, o Coro e Orquestra Académica da Universidade do Minho, os múltiplos coros paroquiais, os grupos de pop-rock (Mão Morta, Peixe-Avião, «Buda»), os gestores culturais (Theatro Circo, Braga-Jazz), a edição (À Sombra de Deus, Tradisom), as associações, os grupos de folclore, os grupos de música popular (Raízes, Canto d’Aqui).

Braga, cidade de sons – é  também uma memória pessoal de vivências musicais.. Cheguei a Braga em 1964 para estudar no Seminário do Espírito Santo, numa ambiência sonora de cariz religioso, com prática de canto coral e órgão, mas já permeável aos sons «profanos» da televisão e do cinema, aos sons do teatro, onde pontuavam as melodias clássicas (aberturas, árias) e populares, executadas por uma tuna de instrumentos de corda (contrabaixo, bandolim, violão, violino, violoncelo).

Os anos seguintes foram de contacto com as músicas de Cabo Verde (mornas, coladeiras) e de Angola, lugares de missão. De 1968 em diante, a abertura intensiva ao mundo musical da pop marcou os dias, as horas e os tempos de intervalo: acordava-se ao som dos Beatles, sentia-se o entusiasmo de adaptar as músicas religiosas ao ritmo e às melodias do mundo exterior.

Paralelamente, o circuito dos concertos da Juventude Musical Portuguesa: havia na cidade, na biblioteca pública quase sempre, concertos de música clássica (piano, música de câmara). Depois, no Conservatório Calouste Gulbenkian de Braga, em formação musical e clarinete, o contacto com a música contemporânea através das atividades de Cândido Lima (audição de Xenakis e de Emanuel Nunes, visita à Fundação Gulbenkian, assistência a concertos de orquestra).

Com o 25 de Abril tudo se fragmentou, não para desaparecer, mas para se distribuir por múltiplas experiências, umas de ruptura, outras de aprendizagem, contacto e assimilação de sonoridades. Na escola, a integração da música nas atividades didáticas, no teatro, nas festas; na aldeia, a preparação do coral para as músicas da liturgia; com os amigos, a experiência da improvisação, o contacto com o jazz, a frequência de músicas de baile, a audição da rádio, a compra de revistas da especialidade (o Mundo da Canção), até à formação de um grupo de folclore (aboios, modas de terno, coreográficas, religiosas).

Os circuitos da cultura musical passaram a ter paragens periódicas: construtores de instrumentos (Museu dos Cordofones), arquivos, concertos, Braga-jazz, festivais de Tunas, concertos de bandas, idas à ópera, palestras, leituras, investigações.

A experiência pessoal reflete um percurso geracional, testemunha o país e a cidade. Hoje, embora verificando, quer na música erudita, quer na música popular, a falta de algumas áreas da vida musical, por exemplo, a ópera, a música contemporânea, o teatro de revista, Braga entrou decididamente nos caminhos do consumo e da promoção de «sons» que a singularizam e também a globalizam.

Bibliografia sumária:

Blitz (2012-2013). Medipress.

Carneiro, Álvaro (1959) A Música em Braga. Braga: Theologica.

Castelo-Branco, Salwa (dir.) (2010) Enciclopédia da Música em Portugal no século XX. Lisboa: Círculo dos leitores.

Castelo-Branco, Salwa El Shawan, Branco, Jorge Freitas (2003) Vozes do povo: A Folclorização em Portugal. Oeiras: Celta.

Lima, Paulo (coord.) Michel Giacometti Filmografia Completa. RTP Edições, Tradisom.

Sampaio, Gonçalo (1944) Cancioneiro Minhoto. Porto: Livraria Educação Nacional.

José Hermínio da Costa Machado

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